Como funciona o golpe do falso advogado

Você recebe uma ligação urgente. Do outro lado da linha, uma voz séria e convincente diz ser um advogado. Ele tem seu nome completo, o número do processo em que você é parte, e até menciona o juiz responsável. Em seguida, pede um pagamento “urgente” via Pix, alegando que isso evitará uma suposta penhora, multa ou perda de prazos. O que parece um atendimento jurídico atencioso é, na verdade, um golpe.

Essa fraude tem nome: “golpe do falso advogado”. E só em 2025, a OAB/SP já recebeu mais de 1.500 denúncias dessa prática.

Um crime digital que nasce de dados públicos

Os golpistas não invadem sistemas. Eles não precisam disso. Basta acessar informações públicas de processos disponíveis em diários oficiais, plataformas como o e-SAJ ou sites de tribunais. Com esses dados em mãos, eles constroem uma narrativa personalizada que engana até mesmo pessoas experientes.

E não se trata de mensagens mal escritas ou ligações amadoras. Os criminosos utilizam:

  • e-mails com brasões oficiais forjados;
  • documentos digitalizados com aparência legítima;
  • perfis falsos de escritórios de advocacia;
  • e até videochamadas feitas em ambientes que simulam escritórios jurídicos.

É a engenharia social digital levada a outro nível: o criminoso manipula a vítima explorando a confiança que ela deposita na Justiça e na advocacia.

Quais crimes estão envolvidos?

As práticas mais comuns nesse tipo de fraude configuram:

  • Estelionato digital – Art. 171 do Código Penal;
  • Associação criminosa – Art. 288 do Código Penal;
  • Possivelmente ainda falsidade ideológica e uso indevido de identidade profissional.

Cada caso pode variar, mas o padrão de ação é sempre o mesmo: induzir a vítima ao erro por meio da simulação de uma relação jurídica legítima, com o objetivo de obter vantagem financeira indevida.

Investigação e desafios

A Polícia Civil e a OAB/SP vêm atuando em conjunto para investigar e coibir essa prática. Porém, como destaca o relatório da DCCIBER (Delegacia de Crimes Cibernéticos), a limitação de recursos humanos e tecnológicos dificulta o rastreamento em massa desse tipo de crime, especialmente quando há uso de linhas telefônicas de difícil rastreamento ou contas bancárias de “laranjas”.

Por isso, a cooperação técnica entre entidades públicas e privadas, inclusive com empresas de tecnologia e instituições bancárias, torna-se fundamental.

Como se proteger?

  1. Desconfie de urgência e pressão por pagamento imediato.
  2. Confirme diretamente com seu advogado (ou consulte a OAB) antes de fazer qualquer pagamento.
  3. Desconfie de contatos que usam e-mails genéricos, WhatsApp com números desconhecidos ou dados excessivamente técnicos sem contexto.
  4. Nunca faça transferências para contas em nome de pessoas físicas sem confirmação legal.

E se você for vítima? Registre imediatamente boletim de ocorrência e, se possível, procure ajuda especializada em crimes digitais ou perícia forense para preservar as evidências da fraude (mensagens, comprovantes, números, perfis falsos).

Fonte: Adaptado de https://www.migalhas.com.br/depeso/435141/cooperacao-tecnica-no-enfrentamento-ao-cibercrime

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